ARPOADOR COLLECTION
Jantar no Tomate: sushi na casa de um cozinheiro do Arpoador
| Tomate abre a casa. Você fica para jantar. É assim que a noite funciona no Arpoador, o povoado de pescadores de Tutóia onde um cozinheiro recebe no máximo doze pessoas na própria sala, decide o menu no mesmo dia e não tem a menor intenção de apressar ninguém. A prova mais honesta disso não é uma foto de prato. É um casal dormindo abraçado numa poltrona, descalço, diante de uma parede de discos, depois de três horas à mesa. |
Um restaurante que não é restaurante
Tomate é o nome do cozinheiro e também o nome pelo qual a casa é conhecida no vilarejo. Não há placa na porta nem cardápio impresso. Há uma mesa comprida de madeira, cadeiras para doze e um anfitrião de boné e avental que serve o que cozinhou com as próprias mãos. O formato é raro e por isso precioso: a experiência de jantar na casa de alguém que cozinha muito bem, sem que ninguém precise ser amigo dele antes de sentar.
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A sala conta a história
A casa é uma biografia pendurada na parede. Eric Clapton em preto e branco, David Bowie num pôster de Sound and Vision 1990, U2, Pearl Jam, Jimi Hendrix e Ozzy Osbourne. Placas de boteco com a receita do rabo de galo e da caipirinha. Uma parede de CDs e DVDs do chão ao teto, pilhas de discos que ninguém arrumou para a foto, um aparelho de som antigo sobre um tronco de árvore, um alvo de dardos, uma geladeira de bar dos tempos em que elas tinham porta de vidro. No meio disso, um quadro com um kanji vermelho, a única pista, antes de a comida chegar, de que a noite vai terminar no Japão.
Nada ali é cenário. Não saiu de catálogo nem de projeto de decoração. É a vida de um homem exposta na sala, e o hóspede janta dentro dela.
Primeiro, o boteco
A recepção não é japonesa. É uma tábua de madeira entalhada à mão, com a palavra PETISCOS gravada na borda, e o que vem nela pertence à mesa de bar brasileira: queijo coalho em cubos com tomatinho e hortelã, calabresa fatiada com cebolinha, tremoço, castanha de caju, azeitona verde, torradinhas. Ao lado, uma travessa de espetinhos de queijo, salame e ovo de codorna, em volta de um monte de azeitonas pretas. A única piscada para o Japão é a ervilha com wasabi, verde e crocante no meio da tábua.
Tomate apresenta tudo ele mesmo, debruçado sobre a mesa, explica o que está ali e volta para a cozinha. É o começo de um arco que atravessa a noite inteira: abre como um boteco e fecha como uma mesa japonesa.
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O cardápio é o que o mar trouxe
Não existe cardápio fixo. O que vai à mesa depende do que chegou pela manhã. No meio da tarde, Tomate manda ao concierge a lista do que vai servir naquela noite, e é assim que o hóspede fica sabendo o que vai jantar. Os pratos deste texto são de noites recentes; outros dias trazem outro peixe, outro arranjo, outra sobremesa.
Numa delas, a mesa recebeu patinhas de caranguejo dispostas em círculo em volta de um vinagrete fresco de tomate e pimentão, com cebolinha picada por cima. O caranguejo é parte antiga da mesa do litoral maranhense, que vive entre o mar e os manguezais. Em seguida veio o harussame, cujo nome em japonês quer dizer chuva de primavera, por causa dos fios translúcidos do macarrão. No Tomate, ele chega frio, com camarão dourado, cenoura, gergelim e hortelã colhida no quintal.
Depois, o Japão
A técnica é japonesa, a matéria-prima é daqui. O sushi de camarão vem em fileira, cada peça com o rabo do camarão para fora; ao redor, hossomaki e uramaki com gergelim, pepino em conserva e gengibre. Não há pretensão de restaurante japonês de cidade grande. Há um cozinheiro que aprendeu a técnica e decidiu aplicá-la ao que o litoral maranhense entrega.

Da panela direto para a mesa
O prato principal não vem empratado. Vem nas panelas em que foi feito, e cada um se serve: gohan, o arroz japonês; karê, o curry que o Japão adotou no fim do século 19 e transformou em comida de casa; e robalo, um dos peixes que os pescadores trazem da baía de Tutóia, cozido no vapor dentro de um cesto de bambu, com brócolis e cebolinha. Para quem não come peixe, há filé mignon.
No fim, musse de coco e o prato de que todo mundo fala depois: um brigadeiro de wasabi. Ninguém acredita. Até provar.
Ninguém dorme em restaurante
Três horas parecem muito para um jantar até a primeira noite na casa do Tomate. Ninguém recolhe os pratos com pressa, ninguém traz a conta antes da hora. Há quem fique conversando na mesa comprida, há quem vá para as poltronas da sala, e há quem durma. Não é descuido do anfitrião. É a melhor avaliação que uma casa pode receber.
Como reservar
O jantar recebe até doze pessoas, das 19h às 22h, em qualquer dia da semana, conforme a agenda do Tomate. As vagas são, literalmente, as cadeiras que ele tem. A reserva é feita pelo concierge, que confirma a data, informa o valor e envia o menu da noite. Restrições alimentares devem ser avisadas na reserva.
Como chegar ao Arpoador
O Arpoador é um povoado de pescadores em Tutóia, no Maranhão, no fim da Alameda dos Velejadores, porta de entrada dos Pequenos Lençóis. Fica a 343 km de São Luís e a 134 km de Parnaíba, e os últimos 13 km são pela faixa de praia, só em 4x4. O Concierge AR.Co organiza todos os detalhes: veículos 4x4 com motoristas qualificados, fretamento de helicóptero e assistência de receptivo.
Perguntas frequentes
Precisa reservar o jantar no Tomate?
Sim. São no máximo doze lugares por noite, e a reserva é feita pelo concierge, que confirma a data com o Tomate.
Qual é o cardápio?
Não há cardápio fixo. O menu é decidido no dia, com o que chegou do mar, e enviado ao concierge no meio da tarde.
Tem opção para quem não come peixe?
Sim. O prato principal pode sair com filé mignon. Outras restrições devem ser informadas na reserva.
Onde fica?
Na casa do próprio Tomate, no vilarejo do Arpoador, em Tutóia, Maranhão. O concierge passa as orientações na confirmação da reserva.
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